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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Notas de Deslocamento ou Variação de Odores

Viajar para captar o odor de novas paisagens, pra mudar a fragrância da alma e poder mergulhar no cheiro da estação.

Sinônimo de mar: verão
movimento
amplo horizonte
e extensão sem limite

A expressão do corpo desnudo se expande em contato
A partida é o início da jornada do herói viajante, que salta de seu microcosmo doméstico em direção ao triunfo

A conquista é deambular as fronteiras de si, ultrapassar e vencer de forma válida e humana
Cruzar limiares de si mesmo conta com a  força do desconhecido.
Os incidentes são fantásticos professores da fé, da entrega e da confiança

O planeta, transeunte, é aquele que não te desampara e jamais te deixa sem colo.

Viajar assim é viagem: transitória, transitiva, impermanente
Ser outro constantemente
arquiteto de si mesmo, com estética e proporção preservada pra constituição do mundo interno. Digno e  elegante, como o mundo deve ser
Ser a beleza que se quer ver no mundo

No fim de um trajeto
Voltar ao centro, o coração
Se colocar pequeno e  grande em gratidão
Se reconhecer grão de areia
e assim renascer!



Texto: ~*~ Consultório de Afrodite ~*~
Imagem: arquivo pessoal




quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Dano Divino


....Há relatos de que caçadores Umedas, na Nova Guiné, dormiam com um punhado de ervas sob o travesseiro para inspirar sonhos sobre caçadas bem sucedidas. 

Os Berbers, do Marrocos, eram conhecidos por inalar a fumaça perfumada de poejo, tomilho, alecrim e louro para curar dores de cabeça e febre. 

Eles acreditavam que cheirando uma flor de narciso poderiam proteger-se, e que os espíritos malignos poderiam ser expulsos do corpo pelo perfume de benjoim queimado misturado a arruda, consumidos em chamas aromáticas.

Xamãs de regiões montanhosas fazem encantamentos sobre folhas de gengibre, que dizem transmitir sedução ao homem que as esfrega em seu corpo.

Na Amazônia, índios ianomâmis carregam saches de pós aromáticos para fazer com que mulheres atraentes se joguem em seus braços.

Não somos diferentes dos povos que acreditam que cheiros e fragrâncias interferem em nossas vidas!
Os odores pertencem ao mundo metafísico. 
É o sentido da imaginação, e da emoção!
Penetra na memória mas permanece invisível, etéreo, intangível!

As essências aromáticas possuem personalidade!
Algumas difíceis, túrgidas, rígidas! Outras dóceis, maleáveis e versáteis.
Muitas atraentes, chamativas, mas sem profundidade!
....Quentes, penetrantes, tenazes, pungentes.....

Um aroma
Uma presença
Um princípio que se doa
Uma emanação da pele
Uma linguagem sutil
Um dano Divino, uma embriaguez, um estado alterado....
Uma coisa secreta, que não se pode saber, a não ser por experiência! 

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Feminilidades





Meu encontro com a lucidez e com meu  senso de presença e pertencimento no mundo  é através da  escrita

Quando cavo por baixo dos escombros auto demolidos e encontro uma passagem de ar para o fluxo criativo.

Porque as coisas desse mundo não bastam. Elas se consomem.

Só posso reconhecer que a fonte do prazer que devolve a significância humana é criar com as próprias mãos!

Aprendi com os mitos e com os contos de fada a ter asas emotivas (que me movem nessa direção)

Aprendi com a Vasalisa a eterna busca dançante da auto-nomia ( a capacidade de me atribuir meus próprios nomes)

Porque minha parte que se auto organiza, se solidifica e reconhece identidade é através das  tecituras  humanas.

Reconcilio minhas partes escrevendo, dando as mãos, abraçando e interligando  vogais com consoantes.

Essa é minha parte linear e segura.  É solar, tem clareza e dá sentido.

Já a minha voz é lunar, cíclica e não decifra indagações. 

Minha voz coloca poder em legitimar o silêncio e ouvir por trás da palavra dita. 

Meu ouvido insiste nisso, nas ações silenciosas, porque minha psicologia foi desde o início a dos gestos que a palavra esconde.

Ausência, geografia emocional e afeto não são da ordem da razão!

E ainda assim é a faceta que me constrói e minha dimensão de maturidade.

Aprendi com a Deusa Hera a me colocar de forma harmônica e pacífica, exercendo habilidades ultrapassadas e preservando valores e tradições!

 Me curvei diante de sua imagem austera  e a ela disse: te aceito e aprendo contigo, você é  maior, respeitosa esposa de Zeus!

Na adolescência queria ser Ártemis, independente e selvagem, desbravadora e solitária.
 Esses eram os nortes que me preenchiam. 

A possibilidade de ser sozinha na vida me fazia muito sentido e ressoava como um lema a defender e praticar.

A maternidade me apresentou Deméter, a  sacerdotisa! Independência integrada e amadurecida, bem diferente de Ártemis de cabelo aos ventos!

Fui pra debaixo da terra fazer sulcos e rachaduras, pra poder voltar vicejante como a maga Perséfone.

Descobri a magia e a alquimia do ou(t)RO, analogia de significância pra poder mergulhar nos mistérios de Afrodite. 

Seu olhar panorâmico possibilita o distanciamento necessário pra poder fazer relações!

Nasci de Atena e assimilar o papel da conquista, do fazer e o motivo da justiça não foi desafio pra mim!

Essas são, então, as mulheres de minha vida. Me reconcilio com todas que me disponibilizam nutrição para minha essência feminina!

Com elas faço resgates  e construções, me fortaleço na minha ancestralidade, dou continuidade nos bordados já começados, nas linhas já traçadas, nos pontos , nós, nas tramas que não foram resolvidas!

 Dou caminho e  passagem pra donzela percorrer seu trajeto de mulher fértil a anciã sábia. La que sabe!
Observo e registro meu processo de crescimento através da influência das minhas mulheres!

Não ao acaso fui inserida no contexto das rodas!
 Me criei dessa forma, nesse espaço  circular sagrado de encontro e revelação . 
As experiências circulares foram dando significado e me imbuindo de propósito de cura.

O amor cria a conexão, a verdade liberta e cria espaço para ser! 
Resgates e reconstruções são cíclicas, circulares e se validam na partilha.

Para sustentar e ancorar meu trabalho com mulheres ativo meu coração, aqueço meu útero, ouço sem fazer ruído, me envolvo pelo tecido humano maleável e flexível, e escrevo!

Trabalhar com mulheres é tecer a trama, tricotar fios de estórias achadas. É ser a moça tecelã, dois avanços e um recuo. 

É se inserir no tempo de Kairós, o que os gregos chamam de tempo oportuno, o momento certo, o tempo de Deus!

Tempo matrístico! Pacífico e próspero! A cooperação e a proteção como única forma de sobrevivência.
O fazer como verdadeira forma de ser

O registro como grafia pra memória reter o  avanço do caminho sinuoso, irregular,com obstáculos, desníveis e propósito de avanço irreversível!





Texto: Cinthya Garcia
Foto: Pinterest 



quinta-feira, 25 de junho de 2015

Contos sobre perfumes

"Cleópatra desenvolveu a arte de auto adornar-se como ciência. Possuía seu próprio ateliê de perfume, e dizia-se que esfregava perfume sólido na boca antes de beijar um amante, de modo que o aroma o obrigasse a pensar nela depois que se separassem. Ela mandava embeber em perfume as velas do barco no qual recebia Marco Antônio, e mais tarde encontrava-o num quarto com carpete de pétalas de rosa , com alguns metros de espessura, que era fixado no lugar por redes presas as paredes.

AS mitologias de muitos países estão repletas de referências ao poder de sedução do perfume, manifestação da crença antiga de que as essências tem origem sobrenatural. Dizem que Kama, o Deus Hindu do Amor, carrega flores em seu cesto em vez de flechas. Hades, o Deus grego do mundo inferior, usava a flor sedutoramente aromática do narciso para atrair Perséfone.

A docemente perfumada Deusa do Amor, Afrodite ( cujo nome deriva a palavra Afrodisíaco), deliciava-se com belos aromas e distribuía-os generosamente para auxiliar seduções no paraíso e na terra. Ela deu uma receita especial de perfume a Helena de Tróia, que encharcou Páris com ele quando o colocou em seu leito nupcial, e deu ao barqueiro Phaon uma fragrância que fez com que as mulheres, incluindo a poetisa lésbica Sapho e uma falange de esposas antes obedientes, se apaixonassem por ele.

Até mesmo Zeus, Deus dos Deuses, era suscetível a um aroma doce , e quando Hera queria seduzi-lo, ungia o corpo com óleos aromáticos.
Na antiga Jerusalém, as moças colocavam mirra e bálsamo nos sapatos. Quando avistavam um rapaz atraente no mercado, aproximavam-se e sacudiam os pés na direção dele, envolvendo-o com aroma".



Trechos  retirados do livro de Mandy Aftel - "Essências e Alquimia : um livro sobre perfumes"
Imagens : Pinterest

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Fruto do Ventre





O melhor de mim agora é fruto do ventre
Rainha de copas tem a alma como sacerdote
e atributos como o de fazer milagre
milagre do sopro, do fôlego, da vida.

Essa  história vêm do fundo da terra, do oco
história sem pergunta, pergunta em gesto, feita a mão
história encantada, de legado, com raiz
história de ramo de  árvore, de galho extenso
de tudo que  abriga beleza
de tudo que é continente
que carrega, que germina, que nutre


O lugar do ventre é de espera
de silêncio de água
lugar de confissão
de luz de lampião
O ventre é lugar de aprender de novo
é uma segunda e terceira chance, uma e duas doses de coragem
provérbio arquetípico.

Com você eu sou várias, em você eu sou muitas
Floresço por mais tempo, protegida
sou pintura, escultura, música e dança
sou filha, mãe, enxergo por dentro
tenho poderes, gratidão

Te esperei desde sempre
te preparei na beira da fogueira, dentro da água, há três séculos, antes do tempo.
Hoje conto as mesmas e outras histórias
de semear e plantar
de carregar amuleto, oferecer bálsamo, ajudar gente, refazer lar.
e de colher, quando o fruto amadurecer.

domingo, 19 de maio de 2013

Cartografia Somática


A palavra falada ecoa no corpo
A estória contada percorre o mesmo caminho do sentido
"Cada coisa tem sua geografia"....o afeto também

Seu lugar é no corpo, seu desenho faz curva
Topografias de memórias tecidas, fiadas, uma a uma, na vastidão do espaço - tempo, sem tempo
O corpo é terreno extenso
Campo privado de fronteiras
onde se proliferam emoções


Qual o espaço - lugar do afeto...!?
Cartografia somática
Elo vivo e úmido habita o vão da indagação
Não tenho respostas
Tão pouco penso em novas perguntas
Calo-me, quieta, diante de verossímeis grafias
e me contento em territorializar espaços submersos




Texto: ~*~Consultório de afrodite~*~
Fotos/ fonte:  internet




domingo, 20 de janeiro de 2013

A Pele em que Habito



Foi durante a faculdade  de psicologia que me encantei  pela  pele  humana.
Ai pensei, como pode um profissional cujo objetivo é explorar o comportamento humano, sem antes e primeiramente se debruçar sob a pele?!

Descobri  a psicologia corporal.....a que faz sentido pra mim!
Traço este caminho, reconheço a alma humana através deste olhar.

Posso perder horas admirando (e cuidando) este fantástico órgão  humano que contém toda a história da afetividade do indivíduo.

A pele é o primeiro órgão de relação entre a mãe e seu bebê.
Meio de  contato e de transmissão de sensações físicas e emoções. Canal pré-verbal de comunicação.
Possui a mesma origem embrionária do Sistema Nervoso Central, e é afetada pelos mesmos hormônios e neurotransmissores.
 O cérebro e a pele, que contém os órgãos dos sentidos, são órgãos de comunicação e interação permanente.

"Apele abriga e contém nossa individualidade, e ao mesmo tempo que nos protege, é a fachada que nos expõe. É o envelope do corpo, o 'espelho da alma', superficial e profunda.

A psicologia corporal acredita que a compreensão da personalidade se dá através do corpo.
A entrada do Templo de Delfos sugere : conhece-te a ti mesmo!
Quando penso nesta proposta, não tenho dúvida de qual seja o caminho.

O caminho é o corpo
O caminho é a pele. O Eu- pele.





Texto: ~*~Consultório de Afrodite~*~
Imagens: Pinterest


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Reflexões de Pele


Indagações somáticas são de ordem analógica.
Pensar sobre os ossos é construir, estruturar e lapidar o eu, vértebra por vértebra.
Árdua tarefa restrita aos seres de tronco encefálico e fluidos corporais

Qual a extensão de um olhar?
eu quero decodificar o seu trajeto
eu quero mimetizar o seu percurso

Há olhares que convergem para um ponto sem foco.
Voltados para o infinito glacial e a mercê das intempéries  climáticas.

Não vejo nada de errado que deva ser corrigido
Eu só quero acompanhar a captação luminosa ser reconhecida em imagem.

Quero ser o espectador das histórias cotidianas
por baixo e por trás das cortinas
as vezes de cima e de lado


Dos olhos pra boca
Me interesso por palavras não ditas.
Fico curiosa quando a boca cala e o labio cerra.

Qual a distância da garganta ao peito?
O sussurro atravessa o coração
ai é quando a palavra ganha tom.

O peso da palavra não dita se estende ao coração
e se eterniza em algum som

Eu quero decodificar o seu trajeto
novamente mimetizar o seu percurso

Experimentar sorrisos
ouvir sussurros
me atentar ao tom e delicadamente afinar meu instrumento
de ossos, vértebras e fluidos.



Texto: ~*~ Consultório de Afrodite~*~
Imagens: Pinterest





sábado, 3 de novembro de 2012

Um Sebo e Serendipity



"Se descreves o mundo tal qual é, não haverá em tuas palavras senão muitas mentiras e nenhuma verdade" Tolstoi

O escritor refaz o mundo que vê ao inventar sua realidade.
Esta é sua majestosa obra.
......

"Obra literária é estória contada, idéia comunicada, emoção transmitida!
Detendo-se dos mais íntimos remansos do espírito, são reelaboradas as percepções, e traduzidas". 

Salve Guimarães Rosa, meu preferido dentre os tocadores da alma humana.

Arquiteto minuscioso do abraço das vogais com as consoantes. 
Engenheiro do estilo sensível e sólido. 
Poeta germinativo dos arranjos, das danças gramaticais irreverentes.
Operário das palavras, engenheiro autêntico.

 Seu problema é de ordem artística.
 Seu tema é existencial, é caboclo, é sertanejo, é simples, é gente de osso e carne e coração macio.
"Concebe ou capta uma idéia, sempre original, as vezes luminosa, frequentemente corajosa, e a desenvolve com crença e entusiasmo".

A sintaxe é uma faculdade da alma., diz Paul Válery
E para mim, o neologismo é a capacidade de sedimentar o impalpável, o etéreo.

Serendipity, palavra cunhada pelo escritor inglês Wallace Walpole há mais de duzentos anos.
Significa, a arte de fazer felizes descobertas, casualmente, em qualquer lugar!






domingo, 30 de setembro de 2012

Relatos de um Caminhar no Sol Primaveril


Dos espaços do cotidiano, acho a praia o mais democrático
Gosto de observar o movimento dos corpos
Não como quem julga, decifra ou analisa
Mas como quem simplesmente, de maneira impessoal, experimenta.

A praia é terreno de todos
fluxo de corpos despidos
sonoridades diversas
balanço ilimitado
coletivo disperso

Composição e passagem sem fronteira
sem tempo
trajeto alheio
reflexão dilatada, provisória, singular e essencial
Coexistência de vastos mundos discrepantes harmônicos

Por debaixo da aba do chapéu
uma transeunte sem sujeito
que como quem não quer nada
na volúpia de seu prazeroso e desapercebido ócio
encontra beleza nisso tudo.




segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Corpo: Território do Prazer


Nos gregos encontramos o melhor retrato sobre o processo de refinamento da experiência do prazer na vida cotidiana. Uma amplitude de experiências construídas no exercício do ócio, nas competições esportivas, nas reflexões filosóficas, na presença marcante das artes plásticas, da dança e do teatro.

O prazer estava presente num culto simultâneo do corpo e do espírito.
A experiência do extase  e da embriaguez nos ritos e festas religiosas eram uma expressão profunda de exaltação a vida, uma vivência do estusiasmós ( ter o deus dentro de si, ser possuído por Dionísio).


Neste cenário foram construídas peculiares perspectivas de valorização do corpo enquanto experiência necessária de felicidade.
O corpo a serviço do prazer, ao seu total dispor.
O corpo enquanto canal da livre expressão da felicidade.
O oasis da festa, do gozo como bem maior, ou único.

Uma civilização da nítida preferência pelas paixões dionisíacas .
O que Nietzsche chamaria de O Grande Sim a Vida!


O corpo humano.
Campo preferido de experimentações.
Derradeiro território a ser conquistado e explorado para além do culto, ou adoração ou valorização extrema da aparência.

O corpo é ontologia básica, é terreno vital.
Espaço de arquiteturas infinitas.
Ossos, células, genes e órgãos.
Primazia da Vida.
In Vivo!

Texto : ~*~ Consultório de Afrodite
Imagens: Pinterest

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Las Comadres, Amém


Em espanhol, comadre é um termo que significa algo semelhante a "eu sou sua mãe e ao mesmo tempo você é minha mãe." É uma palavra para descrever a relação íntima entre mulheres que cuidam uma da outra, que dão ouvidos e ensinam uma `a outra, de uma forma na qual a alma está sempre incluída.
São amigas íntimas e afetuosas.

De preferência, são mulheres que tecem uma vida vigorosa, perdoam, desembaraçam, batem o pé, fincam as mãos, fazem gestos amplos e inspirados.



Seja em época de risadas estridentes, de tristeza atordoante, de deslize ou de "subida aos galhos mais altos para ver o que puder ser visto"... todas las comadres se empenham para viver sob o abrigo umas das outras.

Fazem desvios, recuos e consertos na vida e nos seus relacionamentos. Sem constrangimento, costuram de novo.

Entre mulheres, este é um esforço abençoado!


Podem usar  mantillas ou túnicas em cores pasteis.
Usam o Darma para ocasiões especiais, ou como traje principal.

Usam Hijab ou puxam o sagrado Talit franjado sobre a cabeça para estar mais uma vez na tenda da antiga Sarai.
Usam o solidéu feito de contas, arco íris e chuvas de estrelas na cabeça.

Arrumam o cabelo no formato de flores de abóbora.
Usam Saris na presença dos mais velhos e do sagrado.
Respeitam as tradições e fazem o que lhes convém e o que é necessário.


Sobem montes sagrados e frequentam templos.
Se banham em cachoeiras, em rios e oceanos.
Contam histórias e as aumentam um pouco.
Inventam e estão sempre ocupadas fazendo alguma coisa.

As vezes não fazem nada, só por alguns instantes ou pelo tempo necessário.
Riem alto com dentes largos, e voltam  a trabalhar.
E sempre dizem Amém!


Amém provém de uma longa genealogia de línguas antigas e veneráveis, remontando ao latim, voltando mais atrás ao grego e ainda mais atrás ao hebraico.

Amém nessas línguas significa proclamar direto da alma sábia e indomável: É verdade! Que assim Seja!

Amém!



Trechos retirados do livro : A Ciranda das Mulheres Sábias , de Clarissa Pinkola Estés



domingo, 1 de abril de 2012

Auto Imagem, Simbologia e Auto Estima


O mito grego de Narciso foi , talvez, o primeiro vislumbre e tentativa de entendimento sobre as questões da auto imagem.

Narciso não buscava apenas sua imagem refletida no rio. Sempre acreditei que, através da sua imagem refletida no rio, ele buscava seu interior. 
Era através da  sua auto imagem que ele podia olhar através,olhar pra dentro, e assim, compreender a si mesmo.....

Ou será que seus propósitos eram mais superficias?!
Prefiro acreditar na totalidade.
É ela que me atrai, e que me completa.


O que me faz acreditar ainda mais nessa hipótese é a última tarefa de Psiquê.

Afrodite determina que a ultima tarefa de Psiquê (Alma) para reconsquistar Eros ( deus do Amor) era conseguir o Unguento da Beleza.

E ninguém melhor do que Perséfone para lhe conceder o cofre que contém o tal unguento.



Perséfone era uma linda e pura donzela. Cheia de vida, juventude e  frescor primaveril.
Admirava tanto a  beleza que, um dia, ficou extasiada com uma lindíssima flor chamada Narciso.
Mas a flor havia sido colocada por Hades ( plutão - Deus do Inferno) para distraí-la e, assim,poder  raptá-la e desposá-la.

Em seu exílio Perséfone aprendeu tudo sobre a beleza.Seu valor, seu preço e o quanto ela é desejada.
Trazia-a , com a permissão de Zeus, anualmente para a terra durante a primavera e o verão.

Quando as flores começavam a murchar com as primeiras geadas, ela retornava ao inferno.


Quando Psiquê encontra o cofre de Perséfone que contém o unguento da beleza para levar para Afrodite, Psiquê fica curiosa , abre o cofre e entra em sono profundo, o sono da morte.

Mas a morte é apenas um sonho.(animus).
 Psiquê é humana, e o mito nos faz lembrar que humanos cometem falhas, aprendem com elas, e são perdoados pelos Deuses.

Eros, que é um deus, salva Psiquê.
 É a dádiva dos Deuses!

O unguento da beleza  representa a velha consciência.
Através da tarefa de encontrar a beleza, Psiquê aprende a resgatar sua totalidade, sua individuação e sua inteireza.

Novamente a busca pela beleza , a auto estima e a auto imagem enquanto promovedoras do resgate da totalidade , da qualidade e do prazer.

Aliás, Prazer é o nome da filha de Psiquê


Eu prefiro essa versão da história.
E escolho este lado da vida!

Texto: ~*~ Consultório de Afrodite~*~
Imagens: Pinterest


domingo, 18 de março de 2012

As Idades da Pele


O mito grego de Narciso foi , talvez, o primeiro vislumbre e tentativa de entendimento sobre as questões da auto imagem.

Narciso não buscava apenas sua imagem refletida no rio. Sempre acreditei que, através da sua imagem refletida no rio, ele buscava seu interior. 
Era através da  sua auto imagem que ele podia olhar através,olhar pra dento, e assim, compreender a si mesmo.....

Ou será que seus propósitos eram mais superficias?!
Prefiro acreditar na totalidade.
É ela que me atrai, e que me completa.


O que me faz acreditar ainda mais nessa hipótese é a última tarefa de Psiquê.

Afrodite determina que a ultima tarefa de Psiquê (Alma) para reconsquistar Eros ( deus do Amor) era conseguir o Unguento da Beleza.

E ninguém melhor do que Perséfone para lhe conceder o cofre que contém o tal unguento.



Perséfone era uma linda e pura donzela. Cheia de vida, juventude e  frescor primaveril.
Admirava tanto a  beleza que, um dia, ficou extasiada com uma lindíssima flor chamada Narciso.
Mas a flor havia sido colocada por Hades ( plutão - Deus do Inferno) para distraí-la e, assim,poder  raptá-la e desposá-la.

Em seu exílio Perséfone aprendeu tudo sobre a beleza.Seu valor, seu preço e o quanto ela é desejada.
Trazia-a , com a permissão de Zeus, anualmente para a terra durante a primavera e o verão.

Quando as flores começavam a murchar com as primeiras geadas, ela retornava ao inferno.


Quando Psiquê encontra o cofre de Perséfone que contém o unguento da beleza para levar para Afrodite, Psiquê fica curiosa , abre o cofre e entra em sono profundo, o sono da morte.

Mas a morte é apenas um sonho.(animus).
 Psiquê é humana, e o mito nos faz lembrar que humanos cometem falhas, aprendem com elas, e são perdoados pelos Deuses.

Eros, que é um deus, salva Psiquê.
 É a dádiva dos Deuses!

O unguento da beleza  representa a velha consciência.
Através da tarefa de encontrar a beleza, Psiquê aprende a resgatar sua totalidade, sua individuação e sua inteireza.

Novamente a busca pela beleza , a auto estima e a auto imagem enquanto promovedoras do resgate da totalidade , da qualidade e do prazer.

Aliás, Prazer é o nome da filha de Psiquê


Eu prefiro essa versão da história.
E escolho este lado da vida!



terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A Bençåo da Alma



Quem narra esta história é uma velha sábia chamada Alma.
A Alma é mais velha que o tempo, mas seu espírito é eternamente jovem e aberto aos ventos.
Ela fala pra darmos atençåo ao que realmente importa.Isso irá nos ajudar a nåo nos perdermos pelo caminho.
O que ela vem fazer aqui hoje é nos dar a Bençåo!



Ela nåo nos dará e nem nos apresentará nada de novo.
 Ela apenas irá nos ajudar a lembrar como utilizar tudo que já temos conosco desde o momento do nascimento.

Sua bençåo faz com que a gente resgate algo que lá no fundo sempre esteve presente, mas talvez , em algum lugar ainda inexplorado ou inalcançado, oculto a nós mesmos.

Podem confiar sem medo. A Alma velha  tem a capacidade de enxergar longe, curar e transformar  o que for preciso.
Seja você de qual idade for, seu valor é grande demais e seu eu Maior!



Ela quer muito, mas muito mesmo que, apesar de qualquer imperfeiçåo ou insatisfaçåo, nos demos conta da preciosidade da vida. Estas imperfeiçøes ou insatisfaøes såo os paradoxos fundamentais, os paradigmas necessários para a mudança e para o equilíbrio, se revezando incessantemente.

 Sua bençåo abre caminhos e nos ensina a cultivar  e nutrir nossas belezas, amparar nossas tristezas e valorizar nossas buscas

SER.....
Ousada e precavida
Sábia e humilde
Espontânea e confiável

Ter esperança, interesse e fascínio

SER...
Jovem enquanto velha
Velha enquanto jovem
Nåo ter idade

Abrigar o tradicional
e SER
verdadeiramente original

SOMOS ABENÇOADAS!!!
Apesar das hesitaçøes, quedas, tempo perdido, incertezas e lamentaçøes, pois tudo isso é combustível para avançar!

Esta Bençåo nåo såo apenas palavras
Såo profecias!!!



Inspirado na minha bíblia sagrada, o livro A Ciranda das Mulheres Sábias, de Clarissa Pinkola Estés, mesma autora de Mulheres que correm com os lobos.


domingo, 30 de outubro de 2011

Um encontro com a Psiquê Feminina. Muitos Prazeres, Afrodites.

Nenhuma deusa foi tåo  amada e tåo representada no mundo das artes quanto a própria deusa do amor Venus- Afrodite. Adorada pelos gregos e romanos ,  naturalmente ocupava um lugar respeitoso no Olimpo. Admirada pela esvoaçante beleza , sensualidade e ternura, estas såo dignas características  representativas  e valorizadas do universo feminino moderno.
Mulheres Afrodites de todos os tempos: Marilyn Monroe,  Elizabeth Taylor,Greta Garbo, Brigitte Bardot.........Gisele Bundchen(siim, ela é diva).
Honremos aqui o belo, mas nåo o fútil.
A beleza merece destaque , apreciacåo e reverencia. O belo conforta, inspira ,alimenta e motiva.
O bonito pode nåo ser belo, e nem , talvez, o belo bonito.
Falo da beleza que irradia e nåo dos padroes estéticos impostos pela mídia e meios de comunicaçåo.
A tarefa de encontrar e manifestar a infinita variedade da beleza da alma deve ser cultivada diariamente.
A idade nåo a faz murchar e nem o hábito estancar, já dizia Shakespeare em Antonio e Cleopatra.
Safo, uma poetisa grega que viveu na ilha de Lesbos ( vem daí o termo lésbicas) instruia muitas jovens nos mistérios femininos da menstruaçåo e da sexulidade, e celebrava com elas a deusa afrodite através da poesia, da dança e da música. Grande parte das poesias , considerada por muitos a mais bela e requintada do Ocidente,  perderam-se queimadas.Mas um dos poemas chegou até nós.

Hino de Safo a Afrodite

Em teu trono ofuscante, Afrodite
Sagaz filha eterna de Zeus
eu imploro, nåo me esmagues de afliçao
vem a mim agora- como certa vez ouviste meu longínquo lamento, e cedeste,
e te ausentaste furtivamente da casa de teu pai
para jungir pássaros em tua áurea carruagem
e viste. Vistosos pardais trouxeram-te ligeira
para a sombria terra
suas asa ver gastando o médio  céu
Feliz , com labios perenes, sorriste:
O que há de errado Safo, porque me chamaste?
O que deseja o teu tresloucado coraçao?
Quem deveria fazer amar-te?
Qual delas voltou as costas a ti?
Deixa que ela fuja; logo virá atrás de ti;
Recusei dela os favores, e logo seråo teus.
Ela te amará, ainda que nåo saiba nem queira
Vim pois a mim agora e liberta-me
de espantosa agonia. Labora por meu tresloucado coraçao
E sê de mim aliada.

( Greek Lyric Poetry).....