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sexta-feira, 27 de julho de 2012
Las Comadres, Amém
Em espanhol, comadre é um termo que significa algo semelhante a "eu sou sua mãe e ao mesmo tempo você é minha mãe." É uma palavra para descrever a relação íntima entre mulheres que cuidam uma da outra, que dão ouvidos e ensinam uma `a outra, de uma forma na qual a alma está sempre incluída.
São amigas íntimas e afetuosas.
De preferência, são mulheres que tecem uma vida vigorosa, perdoam, desembaraçam, batem o pé, fincam as mãos, fazem gestos amplos e inspirados.
Seja em época de risadas estridentes, de tristeza atordoante, de deslize ou de "subida aos galhos mais altos para ver o que puder ser visto"... todas las comadres se empenham para viver sob o abrigo umas das outras.
Fazem desvios, recuos e consertos na vida e nos seus relacionamentos. Sem constrangimento, costuram de novo.
Entre mulheres, este é um esforço abençoado!
Podem usar mantillas ou túnicas em cores pasteis.
Usam o Darma para ocasiões especiais, ou como traje principal.
Usam Hijab ou puxam o sagrado Talit franjado sobre a cabeça para estar mais uma vez na tenda da antiga Sarai.
Usam o solidéu feito de contas, arco íris e chuvas de estrelas na cabeça.
Arrumam o cabelo no formato de flores de abóbora.
Usam Saris na presença dos mais velhos e do sagrado.
Respeitam as tradições e fazem o que lhes convém e o que é necessário.
Sobem montes sagrados e frequentam templos.
Se banham em cachoeiras, em rios e oceanos.
Contam histórias e as aumentam um pouco.
Inventam e estão sempre ocupadas fazendo alguma coisa.
As vezes não fazem nada, só por alguns instantes ou pelo tempo necessário.
Riem alto com dentes largos, e voltam a trabalhar.
E sempre dizem Amém!
Amém provém de uma longa genealogia de línguas antigas e veneráveis, remontando ao latim, voltando mais atrás ao grego e ainda mais atrás ao hebraico.
Amém nessas línguas significa proclamar direto da alma sábia e indomável: É verdade! Que assim Seja!
Amém!
Trechos retirados do livro : A Ciranda das Mulheres Sábias , de Clarissa Pinkola Estés
domingo, 22 de abril de 2012
As Musas
As Musas pertencem originariamente a família das ninfas: são as fontes inspiradoras que comunicam aos homens a faculdade poética e lhes ensinam as divinas cadências.
Minemósina deu a luz nove filhas de Júpiter sensíveis ao encanto da música, que proporcionavam o esquecimento dos males e o fim das dores. As musas eram respeitadíssimas e o talento dos artistas eram atribuídos ao dom das nove irmãs.
Clio, Euterpe, Talia, Melpômene, Terpsícore, Erato, Polímnia, Urânia e Calíope nasceram no pico mais elevado do nevoso Olimpo, onde também morava o rei do céu, o senhor do trovão e do raio ardente.
Quando as filhas do grande Júpiter queriam honrar um desses reis, filhos do céu, derramavam-lhes sobre a língua um delicado orvalho, e as palavras fluiam da boca como verdadeiro mel. Eis o divino privilégio que as Musas concediam aos mortais.
Naquela época a poesia era um dos agentes mais poderosos da civilização. As Musas eram caracterizadas por seus atributos especiais, representadas sob a forma de jovens cobertas com longas túnicas e plumas na cabeça, recordação da vitória obtida contra as sereias (mulheres pássaros)
Clio era a musa da história, possuía uma bela voz e o dom da eloquência
Calíope presidia os poemas distinados a celebrar heróis. Possuía o dom da proclamação.
Terpsícore, musa da poesia lírica, da dança e dos coros.
Erato é a musa da poesia amorosa. Tinha grande importância nas festas de núpcias.
Euterpe era a musa que presidia a música, a doadora de prazeres.
Urânia, a celestial, era a musa da astronomia
Polímnia era a musa dos hinos sagrados, da música sacra
Melpômene, a poetisa, era a musa da tragédia, usava máscaras trágicas e folhas de videiras.
Tália era a festiva, a musa da comédia
Todos esses velhos usos desapareceram no fim do império, e o papel civilizador que se atribíia as musas foram esquecidos.
Um dos últimos escritores pagãos, contemporâneo das invasões bárbaras, o historiador Zózimo, conta sobre a destruição das imagens das musas, que haviam sido conservadas ainda na época de Constantino.
"Então, diz ele, fez-se guerra as coisas santas, mas a destruição das musas pelo fogo foi um presságio da ignorância em que o povo iria tombar"
domingo, 1 de abril de 2012
Auto Imagem, Simbologia e Auto Estima
O mito grego de Narciso foi , talvez, o primeiro vislumbre e tentativa de entendimento sobre as questões da auto imagem.
Narciso não buscava apenas sua imagem refletida no rio. Sempre acreditei que, através da sua imagem refletida no rio, ele buscava seu interior.
Era através da sua auto imagem que ele podia olhar através,olhar pra dentro, e assim, compreender a si mesmo.....
Ou será que seus propósitos eram mais superficias?!
Prefiro acreditar na totalidade.
É ela que me atrai, e que me completa.
O que me faz acreditar ainda mais nessa hipótese é a última tarefa de Psiquê.
Afrodite determina que a ultima tarefa de Psiquê (Alma) para reconsquistar Eros ( deus do Amor) era conseguir o Unguento da Beleza.
E ninguém melhor do que Perséfone para lhe conceder o cofre que contém o tal unguento.
Perséfone era uma linda e pura donzela. Cheia de vida, juventude e frescor primaveril.
Admirava tanto a beleza que, um dia, ficou extasiada com uma lindíssima flor chamada Narciso.
Mas a flor havia sido colocada por Hades ( plutão - Deus do Inferno) para distraí-la e, assim,poder raptá-la e desposá-la.
Em seu exílio Perséfone aprendeu tudo sobre a beleza.Seu valor, seu preço e o quanto ela é desejada.
Trazia-a , com a permissão de Zeus, anualmente para a terra durante a primavera e o verão.
Quando as flores começavam a murchar com as primeiras geadas, ela retornava ao inferno.
Quando Psiquê encontra o cofre de Perséfone que contém o unguento da beleza para levar para Afrodite, Psiquê fica curiosa , abre o cofre e entra em sono profundo, o sono da morte.
Mas a morte é apenas um sonho.(animus).
Psiquê é humana, e o mito nos faz lembrar que humanos cometem falhas, aprendem com elas, e são perdoados pelos Deuses.
Eros, que é um deus, salva Psiquê.
É a dádiva dos Deuses!
O unguento da beleza representa a velha consciência.
Através da tarefa de encontrar a beleza, Psiquê aprende a resgatar sua totalidade, sua individuação e sua inteireza.
Novamente a busca pela beleza , a auto estima e a auto imagem enquanto promovedoras do resgate da totalidade , da qualidade e do prazer.
Aliás, Prazer é o nome da filha de Psiquê
Eu prefiro essa versão da história.
E escolho este lado da vida!
Texto: ~*~ Consultório de Afrodite~*~
Imagens: Pinterest
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