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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Notas de Deslocamento ou Variação de Odores

Viajar para captar o odor de novas paisagens, pra mudar a fragrância da alma e poder mergulhar no cheiro da estação.

Sinônimo de mar: verão
movimento
amplo horizonte
e extensão sem limite

A expressão do corpo desnudo se expande em contato
A partida é o início da jornada do herói viajante, que salta de seu microcosmo doméstico em direção ao triunfo

A conquista é deambular as fronteiras de si, ultrapassar e vencer de forma válida e humana
Cruzar limiares de si mesmo conta com a  força do desconhecido.
Os incidentes são fantásticos professores da fé, da entrega e da confiança

O planeta, transeunte, é aquele que não te desampara e jamais te deixa sem colo.

Viajar assim é viagem: transitória, transitiva, impermanente
Ser outro constantemente
arquiteto de si mesmo, com estética e proporção preservada pra constituição do mundo interno. Digno e  elegante, como o mundo deve ser
Ser a beleza que se quer ver no mundo

No fim de um trajeto
Voltar ao centro, o coração
Se colocar pequeno e  grande em gratidão
Se reconhecer grão de areia
e assim renascer!



Texto: ~*~ Consultório de Afrodite ~*~
Imagem: arquivo pessoal




quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Dano Divino


....Há relatos de que caçadores Umedas, na Nova Guiné, dormiam com um punhado de ervas sob o travesseiro para inspirar sonhos sobre caçadas bem sucedidas. 

Os Berbers, do Marrocos, eram conhecidos por inalar a fumaça perfumada de poejo, tomilho, alecrim e louro para curar dores de cabeça e febre. 

Eles acreditavam que cheirando uma flor de narciso poderiam proteger-se, e que os espíritos malignos poderiam ser expulsos do corpo pelo perfume de benjoim queimado misturado a arruda, consumidos em chamas aromáticas.

Xamãs de regiões montanhosas fazem encantamentos sobre folhas de gengibre, que dizem transmitir sedução ao homem que as esfrega em seu corpo.

Na Amazônia, índios ianomâmis carregam saches de pós aromáticos para fazer com que mulheres atraentes se joguem em seus braços.

Não somos diferentes dos povos que acreditam que cheiros e fragrâncias interferem em nossas vidas!
Os odores pertencem ao mundo metafísico. 
É o sentido da imaginação, e da emoção!
Penetra na memória mas permanece invisível, etéreo, intangível!

As essências aromáticas possuem personalidade!
Algumas difíceis, túrgidas, rígidas! Outras dóceis, maleáveis e versáteis.
Muitas atraentes, chamativas, mas sem profundidade!
....Quentes, penetrantes, tenazes, pungentes.....

Um aroma
Uma presença
Um princípio que se doa
Uma emanação da pele
Uma linguagem sutil
Um dano Divino, uma embriaguez, um estado alterado....
Uma coisa secreta, que não se pode saber, a não ser por experiência! 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Alma e Aroma


O aroma é o caminho direto para a alma.
 Imergir-se no mundo dos aromas é adentrar  um terreno de mistério, fascínio e memória!
É um  prazeroso e irrecusável convite a experimentar um estado alterado de consciência.
O perfume entorpece, e enobrece!
A fragrância é instantânea, é invisível, silenciosa!
Seu eco alcança o rastro da velha memória intangível, escondida, oculta, e viva!
E assim, emoções dormentes são estimuladas a despertar.
E a valsa se inicia, assim, bem no compasso de um cheiro!

Cheiro de casa de vó, cheiro de doce de cidra.
....de lençol passado, de debaixo da cama
de baú, jardim, chuva de verão.

O aroma é um corpo sólido, vivo e ereto na atmosfera, amante da memória, que flerta com a emoção!
Detalhes, texturas e sensações! Recordações!
Ator  de destaque no início da vida, e na vida inteira.
O bebê reconhece a mãe pelo cheiro, e esse é o seu primeiro sorriso.
Contato envolvente, relação construída através do olfato.


O sentido do olfato é processado na mais antiga parte do cérebro, na área que responde pelos estímulos sexuais, emocionais e espontâneos.
Freud postulou que foi quando começamos a andar sobre os pés, eretos, que perdemos nossa proximidade com a informação olfativa, com os detalhes e nuances olfativos.
 Ao mesmo tempo, nossa visão se expandiu, ganhou preferência sobre o olfato.
Ao longo do tempo nosso olfato perdeu a capacidade de percepção.

Após o Iluminismo o sentido do olfato perdeu lugar.
Declaradamente, passou a ser considerado terreno primitivo, associados a animais, e  por isso, "menor", desimportante.
Immanuel Kant declarou que o olfato era o menos importante dos sentidos, indigno de ser cultivado.
É o que os perfumistas  chamam de - A marginalização do olfato, marco do homem civilizado!


Isso resulta na diminuição de sensibilidade do homem moderno, contemporâneo.
Sua falta de percepção nos detalhes, nas minúcias.
Sua preferência por cheiros sintéticos, que gritam.
Assim o suave não tem vez, o que chega de mansinho não se faz presente.
Porque falta alma mesmo.
Porque desaprendemos a inalar, e a se deixar levar.
As vezes pessoas com visão ficam cegas, se lhes faltam a delicadeza.
O olfato é um caminho para descobrir a essência
A essência da vida!